Diário de Viagem de um Parayba – Parte 9

O jogo do ano...

A última vez que vi o Itabaiana jogar foi na final do campeonato sergipano de 1985 em jogo contra o Sergipe no Estádio do Batistão em Aracaju, o titulo ficou com o time rubro e o tricolor da serra amargou 15 anos sem caneco. Ao resolver passar férias em Sergipe, algumas coisas estavam certas e na medida do possível iria fazê-las, uma delas era assistir um jogo do Itabaiana. Para isso bastava ter um, algo meio difícil de acontecer, pois estávamos praticamente no final do ano. Por sorte um, amistoso aconteceu e lá fui ver o Itabaiana jogar.

Na noite anterior durante o coquetel, foi sugerido que assistíssemos ao jogo nas cadeiras-especiais, seria até melhor para as fotos, porém ninguém ficou. Geral foi para a arquibancada. Acabei comprando ingresso de especial que custava 10 Reais, paguei com uma nota de 50 Reais e esqueci o troco, todavia o bilheteiro me gritou e voltei para buscar meu troco. VALEU BILHETEIRO, VOCÊ É A PROVA QUE EXISTE VIDA HONESTA EM ITABAIANA!
Entrei no setor das cadeiras-especiais e o craque Justinho que conversava com outro senhor sobre a capacidade do estádio do Itabaiana e veio falar comigo, fiquei até lisonjeado com o momento e me perguntou:
“Meu filho como é essa historia de você morar no Rio e torcer pelo Itabaiana?”
Respondi o de sempre falando que era filho de sergipana e tal, em seguida ele me perguntou uma coisa que não tive resposta convincente, mesmo porque essa RESPOSTA NÃO EXISTE:
“Meu filho me responde uma coisa, como é que o Flamengo com aquela torcida toda não ter um estádio?”
Recebi passe livre para fazer as fotos no gramado e com isso fotografei um jogo de futebol pela primeira vez na vida.
Porém, o jogo só começaria depois que o então e hoje ex-governador João Alves (aquele que nomeou a ponte ZÉ PEIXE com o próprio nome) chega-se ao estádio e inaugurasse ao lado do ex-prefeito o novo sistema de iluminação do Estádio, que incluíram novos refletores, placares eletrônicos e novas cabines de radio, mas ambos demoraram a chegar ao estádio.
Toda espera tem seu fim. Os políticos chegaram e sem demora puxaram as fitas e as luzes foram inauguradas. Os ex-políticos desceram a escada das especiais para posar para as fotos e nessa hora, o governador meio que se apoiou em meu ombro para descer as escadas. EU JURO QUE A PRIMEIRA COISA QUE PENSEI FOI PUXAR O MEU OMBRO E COM ISSO FAZER O GOVERNADOR CAIR! Se tivesse feito isso e se o governador não se machucasse feio e nem ter feito ninguém se machucar, teria MAIS UMA DESSAS HISTÓRIAS, LINDAS E ÚNICAS PARA CONTAR! Tipo:
“SE FODE AÍ! - O DIA QUE MICHAEL MENESES DERRUBOU O GOVERNADOR DE SERGIPE!”

Política em Sergipe é como nos EUA, só existem dois lados Oposição X Situação, e O RESTO NÃO CONTA! Sendo assim os eleitores presentes no estádio ou eram favoráveis aos políticos que estiveram presentes ou radicalmente contra a eles.
Atletico de Alagoinhas/BA no Aquecimento!
Logo o jogo começou, e por volta de 15 minutos a iluminação foi por brejo e parte do ESTÁDIO FICA ÀS ESCURAS.
Minutos depois a luz volta e o jogo também, porém logo um novo apagão. Dessa vez com a parte que ficou acessa antes. Não lembro quantas vezes à iluminação foi e voltou, mas alguém teve a idéia de usar cerca de 50% da nova iluminação do estádio e o ainda primeiro tempo seguiu sem problemas.
O apagão não foi de todo ruim, pois foi engraçado ter o privilégio de ouvir um torcedor ironizar a situação gritando que tinha sido a prefeita da situação que tinha mandando apagar a iluminação. Rsrsrs...

“Ai hein fotografo?! Só tirando foto do gol, mas ta difícil, se você depender de gol do Itabaiana para ganhar dinheiro, você tá lascado!”
Com o fim do jogo vou me despedir do povo em especial das rádios e na hora que fui dar um tchau para o pessoal da Radio Princesa da Serra, quase pago o mico de entrar na cabine com locutor no AR e dando as palavras finais do jogo! Já com Roberto Carioca da Rádio Capital do Agreste, o mesmo agendou comigo uma entrevista para o dia seguinte ao meio dia.
ELENCO DO JOGO E BASE DA TEMPORADA 2007!
Eu, Lorena e sua mãe D.Silvia fomos embora e paramos para pastéis com caldo no trailer em frente ao estádio e fui para casa da minha tia (apenas um quarteirão do estádio). Já em frente à casa de minha tia, D.Silvia falou que minha camisa do Itabaiana era antiga e iria lavar a dela para me dar uma mais recente e assim tenho camisas do Itabaiana das temporadas de 1997 e 2006.29 – 12 -2008 - The Day After...
Passei parte da manhã esperando a entrevista com Roberto Carioca na Rádio Capital do Agreste e aproveitei para ir à uma lan-hause, ver como estavam as coisas no mundo virtual e lembro de dois papos pelo MSN:
1- Silvia, a menina mais bonita de BH, me contou que devido à violência no Rio, a família dela que planejava passar o revellión no Rio tinha desistido.
2- Um amigo perguntava se eu tava pegando muita mulher em Sergipe, e disse que eu tinha que honrar os cariocas, pois no geral quando um carioca chega em qualquer lugar arrebenta. Respondi que até aquele momento só tinha dado uns beijos. O curioso é que enquanto falava com ele, eu também falava com a menina que levei para cama em minha primeira noite de volta ao Rio! Rsrsrs...
Ao meio-dia fui a Rádio Capital do Agreste para a entrevista com Roberto Carioca e lá pude conversar melhor com ele sobre política, futebol, Itabaiana, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro,Jornalismo, Orkut e Radialismo. Roberto Carioca disse que conhecia por nomes alguns locutores do Rio, já que muitos programas, em especial jogos de futebol, são transmitidos para o Brasil. Dos locutores que são professores da Estácio de Sá, ele reconheceu Francisco Aielo da Rádio Globo. Roberto Carioca além de esporte também fazia o jornalismo policial e cidade, e me convidou para uma volta pela cidade para apurarmos os fatos itabaianenses. Entramos no carro da rádio e partimos. Primeira parada entrega uma promoção para uma ouvinte premida com de vale-butijão de gás. Gostei daquilo, era uma espécie de periferia de Itabaiana em uma rua sem asfalto, quase sem nome, e algumas casas nem números tinham. Foi até difícil de achar a casa da felizarda.
No carro uma entrevista ou debate com a prefeita da cidade onde a mesma comentava como seria as festas de final de ano na cidade, e também classificou como vergonhosa a inaugurarão da nova iluminação do Estádio do Itabaiana, obviamente que ela é (ou era) oposição aos políticos que “deram a luz” no estádio na noite anterior.
Seguimos para o centro de Itabaiana e paramos na Praça da Matriz. Ele sai do carro por alguns minutos, mas mal saiu do carro voltou e me contou que aquela praça era o centro de Itabaiana, logo o centro de Sergipe.
Naquele momento EU VIAJEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII...
Meu lado místico foi acionado, refletia comigo sobre o fato daquela Pça ter sido o palco do meu primeiro beijo 30 anos antes, tipo:
Por que certas coisas só acontecem comigo?
Por que minha vida parece sempre um filme?
Por que eu sou tão raro assim?
Seguimos até à delegacia da cidade, fazer o ronda policial e lá “conheci” alguns dos procurados pela polícia local pelas fotos fixadas na parede. Estacionados em frente à delegacia, Roberto Carioca faz as chamadas do noticiário policial e esportivo, e após fazer seus comentários sobre o jogo da noite anterior ele me entrevistou. Na entrevista dei meus pontos de vista da partida, falei sobre a comunidade que criei no Orkut para o Itabaiana mesmo morando no Rio de Janeiro e aproveitei para convidar os ouvintes para participar da comunidade. Finalizado o papo, fiquei próximo à casa de minha tia e de lá segui para Campo do Brito na esperança de ir com meu primo ao AJU ROCK FEST II. Meu primo acabou desistindo de ir e eu voltei sozinho para Aracaju, para o tão aguardado evento de rock na capital Sergipana, mas isso fica para o próximo capitulo...
Namastê!
Michael Meneses!
<< Home